PADRE MIGUELINHO NASCEU EM NATAL EM 17 DE SETEMBRO DE 1768.
SENDO FILHO DO CAPITÃO PORTUGUES MANOEL PINTO DE CASTRO E DE FRANCISCA ANTONIO
TEIXEIRA. FOI BATIZADO NO DIA 3 DE DEZEMBRO DE 1768. É PATRONO DE ESCOLA EM
NATAL, CÂMARA MUNICIPAL DE NATAL, LOJA MAÇÔNICA E DA CADEIRA DE NÚMERO 1, DA
ACADEMIA NORTE RIOGRANDENSE DE LETRAS, QUE TEM COMO PATRONO; ADAUTO MIRANDA RAPOSO CÂMARA. E ÚNICO POTIGUAR CITADO NO HINO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE.
FALECEU EM SALVADOR, NA BAHIA, NO DIA 12 DE JUNHO DE 1817.
MIGUEL JOAQUIM DE ALMEIDA CASTRO - NATAL
STPM JOTA MARIA - MOSOSRÓ-RN, 16 DE MAIO DE 2022
RN AQUI
segunda-feira, 16 de maio de 2022
MIGUEL JOAQUIM DE ALMEIDA CASTRO
MIGUEL JOAQUIM DE ALMEIDA CASTRO
Miguel
Joaquim de Almeida Castro, nascido em Natal, e daqui saindo para o convento dos
carmelitas, em Recife, aos 16 anos de idade, foi a figura central, a alma
condutora da revolução de 1817, que apelidada por Oliveira Lima de “a revolução
dos padres”, teve um papel e um significado, em termos nordestinos, tão grande,
como a Inconfidência Mineira. Miguelinho, se estudado com percuciência, se
revelará um novo Tiradentes; e os ideais que assomavam o movimento de 1817 eram
os ideais também dos inconfidentes com características, talvez, mais
revolucionárias: de aprofundamento e modificações sociais pedidas e requeridas.
A diferença, contudo, está em que Miguelinho foi
esquecido quase de todo, se não fora a estola, com que morreu, não
sobrevivesse, em um salão do nosso Instituto Histórico. Pernambuco, por
exemplo, fez tudo que era possível para restaurar a memória e a ação de um Frei
Caneca, também participante, embora modesto, de 1817, mas que veio a ser líder,
mais tarde, da Confederação do Equador. Tiradentes nem se fala. É o herói
brasileiro, por excelência, com todas as honras e todas as glórias.
E esse padre humilde e de ação silenciosa, que foi
frade inicialmente, mas depois pediu ao Papa sua resignação da condição
conventual e passou a ser padre, simplesmente? O que dele se conhece, se
estuda, se discute? O que tem interessado de sua vida e de seu trabalho? Nada.
Passou a ser um ilustre desconhecido no Rio Grande do Norte. Parece que
empresta também seu nome ao prédio da Câmara de Vereadores. E quando esses
mesmos vereadores fizeram uma homenagem a Miguelinho? Nunca. É assim que se faz
nossa história e se cultuam nossos grandes nomes; ou nosso mais alto, nume e
lume de nossa destinação histórica como povo e como estado.
Saindo de Natal para estudar no Recife, Miguelinho
nunca mais voltou. Depois do convento do Carmo, foi estudar em Lisboa. Sua
inteligência já o desafiava para grandes vôos. Na Europa, conviveu com os
melhores ambientes e figuras da cultura. Brilhante, orador inesquecível, o
bispo Azeredo Coutinho é nomeado para bispo de Olinda. E traz Miguelinho de
volta ao Recife. E funda o Seminário de Olinda, centro inaugural da formação do
Brasil cultural. Miguelinho é professor de Retórica.
As desavenças, na época entre brasileiros e
portugueses cada vez mais se acentuam. O estamento colonizador, composto de
funcionários e parasitas, que nada faziam, ou só faziam explorar o trabalho dos
nativos, via impostos duríssimos, acabou criando uma situação inaceitável. E a
conspiração começou, já para declarar a República, cortando os laços com
Portugal, abolindo a escravatura e iniciando reformas sociais e econômicas no
País. Era um ideário que se aprofundava na influência da Revolução Francesa e
da Revolução Americana. De repente, por puro idealismo libertário, é proclamada
a deposição do governante português, que reinava absoluto em Recife, e composto
um governo provisório, de que Miguelinho foi o secretário geral. Foi, aí, que
apareceu no Rio Grande do Norte o nome de André de Albuquerque.
Mas a revolução de 1817 foi logo abafada – e seus
dirigentes presos. Entra, então, em cena, a grandeza de nosso padre Miguel.
Enquanto os companheiros fogem, ele fica onde está. Ao lado da irmã Clara,
morando em Olinda, passa a noite, que antecedeu sua prisão, rasgando os documentos
que pudessem incriminar seus amigos de aventura. A irmã propõe que fuja também:
“Não posso nem devo. Sei que vou ser preso. Mas preciso livrar meus amigos de
castigos terríveis que vêm pela frente”.
Encarcerado num porão de navio, é levado para Salvador.
Sem ver a luz do sol, convive com o escárnio e a miséria mais solvente,
amarrado a ferros. Passa oito dias para, desse porão infecto, ser levado a
julgamento.E quem o julgará? O famoso Conde dos Arcos, general português
reconhecido por sua violência. Arma-se o grande instante no Campo de Pólvora de
Salvador.
O Conde dos Arcos, que condenara à morte os outros
revolucionários, detém-se diante da figura de Miguelinho. E sentiu que, ali,
havia uma personalidade diferente. Um instante raro de dignidade humana.
Percebendo em Miguelinho esse ser extraordinário,
propõe a ele: “Há documentos aqui que o incriminam. Como, por exemplo, este,
assinado pelo Sr., mas onde falta a letra O”. Miguelinho calado. E o Conde
repõe: “Alguém deve ter assinado pelo Sr.”. O que implicaria em não condenação
à morte do padre. Mas, Miguelinho pede o documento, examina-o e responde: “Não,
esta letra é minha. Realmente faltou papel para eu colocar o O final do meu
nome”. E volta ao silêncio e à oração.
O Conde dos Arcos reclama “Não sou sanguinolento
como dizem. Afirme alguma coisa. Explique qualquer ação sua. Vamos, fale”. E
Miguelinho em silêncio ficou. Até que a autoridade portuguesa definiu: “Então,
está condenado ao fuzilamento sumário”.
Miguelinho ajoelhou-se, chorando e silenciosamente;
recitou o “Miserere mei Domine”. Foi arcabuzado a 12 de junho de 1817.
FONTE =- TRIBUNA DO NORTE
“Julgamento do Padre Miguelinho”, tela de Antônio Parreiras.
O Rio Grande do Norte tomou parte ativa no evento, seja aqui
mesmo, nas terras potiguares, através da ação de André de Albuquerque Maranhão,
Senhor de Cunhaú; seja por meio de um natalense ilustre que foi protagonista
dos acontecimentos revolucionários no Recife. E este cidadão – um sacerdote da
Igreja – atendia pelo nome de Miguel Joaquim de Almeida Castro, o Padre
Miguelinho.
Por ter empenhado sua honra em cada momento da Revolução, Padre Miguelinho é
justamente homenageado pela História e também em alguns lugares bem conhecidos
de Natal, sua terra de nascimento. Padre Miguelinho dá nome a uma importante
escola pública situada no Alecrim, a uma Loja Maçônica e ao prédio da
Câmara Municipal de Natal, além de ser o único potiguar citado no Hino do Rio
Grande do Norte
Professor de retórica do Seminário de Olinda e Secretário Geral do Governo
Provisório estabelecido em Pernambuco, Padre Miguelinho contribuiu com sua
erudição, sabedoria e ideais de liberdade para o movimento que tinha por
objetivo estabelecer uma terra livre e independente, sediada no atual Nordeste
brasileiro. Do início vitorioso ao fim derrotado, Padre Miguelinho portou-se
com toda dignidade. Quando havia animosidade do povo com os portugueses,
Miguelinho buscou a pacificação para que a nova pátria surgisse sob o signo da
comunhão entre brasileiros e estrangeiros. Na famosa “Proclamação ao povo”,
divulgada logo após a nomeação do Governo Provisório em 8 de março de 1817,
coube a Padre Miguelinho fazer o anúncio oficial, que terminava dizendo que “A
Pátria é a nossa mãe comum, vós sois seus filhos, sois descendentes dos
valorosos lusos, sois portugueses, sois americanos, sois brasileiros, sois
pernambucanos”.
Caindo a Revolução depois da reação da Coroa portuguesa, os líderes do
movimento foram presos e enviados para serem julgados na Bahia. Dentre os
presos estava Padre Miguelinho, que antes de ser levado acorrentado conseguiu,
junto com sua irmã Clara Castro, queimar uma grande quantidade de papéis que
incriminavam muitos dos seus companheiros, livrando-os da morte. No julgamento,
porém, havia boa vontade por parte do tribunal, apesar da grave acusação de
crime de lesa-majesta, cuja pena era o fuzilamento. Mesmo assim, Padre
Miguelinho manteve-se em silêncio, recusando-se a se defender, tamanha era a
convicção com que havia tomado parte no levante. Então o juiz, na real intenção
de salvar a vida de Miguelinho, indagou se por acaso as assinaturas nos papéis
que o denunciavam não poderiam ter sido falsificadas por algum inimigo a fim de
prejudicá-lo. Padre Miguelinho se levantou, apontou para os papéis e, com a
cabeça erguida, disse que as assinaturas eram autênticas, e que numa delas a
última letra do seu nome tinha saído pela metade pois havia acabado o papel.
Sem mais ter o que oferecer para livrá-lo da condenação, o juiz mandou Padre
Miguelinho para ser fuzilado.
Assim, por seu exemplo de coragem, dignidade e civismo, Padre Miguelinho deve
ter a memória reverenciada não só neste Bicentenário da Revolução de 1817, mas
ser permanentemente colocado no lugar de destaque no rol daqueles norte
riograndenses que deixaram o exemplo luminoso de qual é o papel e a postura do
homem que toma a dianteira dos grandes acontecimentos de cada tempo.
MEMORIAL
LEGISLATIVO
MIGUEL JOAQUIM DE ALMEIDA CASTRO
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